Serviço Social pra mim é conversação e não discurso. É no diálogo com o outro que a profissão se
constrói, se destrói, se reconstrói. Não é no arranjo de uma bela teoria, é na reinvenção de um pensamento, na minha potência de criação, de percepção quando me comunico com o outro e quando o outro se comunica comigo. É um trabalho imaterial e talvez por isso seja tão difícil sua explicação, seu enquadramento. Tudo é construção e ser Assistente Social também o é. Não existe uma forma única de ser e de viver a profissão.
Devir, pra mim, é o próprio intempestivo, é o surpreender-se, é o improvável, o impensado, inimaginado. É aquilo que vai ser se eu não objetivar que seja, que vai passar sem eu perceber que já foi. Não é um objetivo a se chegar, são processos que acontecem e que escapam na mesma velocidade com que se aproximam. Pensar o Socius como dispositivo de uma pedagogia reinventada significa acreditar em uma pedagogia que não passa por esta instituída e que forma pedagogos. É pensar num modo de produzir conhecimento, intervenção, modos de viver, conviver, habitar, pensar que não passa por receitas, por métodos, não quer se enquadrado e rejeita, despreza todo tipo de movimentação neste sentido.
(Vídeo da monografia: Viagens Antropoéticas: Relatos de uma autopoiésis coletiva)
O Socius me ajuda a pensar a educação com suas potencialidades de reinvenção, de resistência, de potência. Não uma educação caduca, sem gosto, mas um devir-educação que não perpassa pela educação enquanto instituição. Que consegue fugir das normas que tentam a todo instante enquadrar, moldar, formatar. Pensar o Socius assim é agenciar modos múltiplos, é disparar processos de ensino-aprendizagem que não se enquadram em modelos pedagógicos, psicológicos, epistemológicos
Sem hierarquias o grupo é tomado por um movimento próprio: ora mais intenso, ora mais disperso e mesmo na dispersão há produção. Não sendo um grupo coeso, presa por suas multiplicidades, por suas heterogeneidades que o torna tão singular, tão subversivo, tão profano, tão marginal, tão falado e tão desejado. Mesmo aquele que o torce o nariz o quer por perto, nem que seja para observá-lo, para tentar controlá-lo, mas sendo ele conexões, rizomas... escapa.
2 comentários:
Socius... Encontros potentes, modos sensíveis de produzir saberes... vidas em sua multiplicidade... amizade!!
Dizem que amizade é um espírito em dois corpos, neste caso são vários os corpos e podem ser vários os espíritos... almas que se completam, de forma intensa, "...tão singular, tão subversivo, tão profano, tão marginal, tão falado e tão desejado."
Somos nós...
Vídeo emocionante!!!
Lágrima e mais lágrimas escorrem pelo meu rosto, afetos pulsam em meu corpo, sentimentos me movem na alegria de viver momentos lindos e intensos, nossos corpos se encontram no movimento de nossas vidas, a vida intensa marcada por intensidades de afetos que pulsam e penetram os nossos corpos... Amo sentir a brisa nesta viagem infinita e sentir que ao redor nossos olhares irão se cruzar e nossos corpos se afetarem com força viva em cada uma de nós... A viagem continua...
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